A Paz de Cristo a todos.
Hoje gostaria de falar sobre um tema que acho bastante difícil e até mesmo controverso muitas vezes.
Sabedoria
Nos dias de hoje é muito difícil saber o que é sabedoria. Creio que nisso, os antigos tinham mais propriedade e conhecimento ao falar.
Hoje tudo é tão relativo e sujeito à interpretação de cada um, que a sabedoria perdeu grande parte de seu lugar. Confiamos à instituições externas à família (escola, trabalho, mundo, internet, livros etc), uma responsabilidade que é, sempre foi e no meu modo de ver sempre será.
Somos levados a acreditar que, porque nossos filhos freqüentam as "melhores escolas" (ou pelo menos as mais caras), eles serão pessoas melhores, cremos que por termos os melhores empregos ou salários, somos mais abençoados do que outros que por algum motivo, neste momento não o têm (ou talvez nunca venham a ter), lutamos como loucos para sermos reconhecidos como os melhores e cada crítica pesa mais do que um caminhão de pedras.
E neste nosso afã de sermos os melhores, estudamos como loucos, publicamos livros, doutrinamos, brigamos, julgamos, nos tornamos os "melhores" e quando chegamos em nossas casas, felizes e satisfeitos por mais um dia de vitória... não temos nada. Choramos escondidos as dores de uma criança que não cresceu. Que levou a vida aprendendo tudo, se tornando melhor e mais preparado para o que chamamos "selva de pedras", mas não crescemos. Não temos paz, não sabemos perdoar nem pedir perdão, não damos valor ao que realmente merece valor e atenção.
Acho engraçado e muitas vezes até constrangedor, como um "cabra matuto" (com sua enxada na mão e com o corpo surrado por uma vida na roça, muitas vezes colhendo um tanto que nem é suficiente para comer, ou o que é ainda pior, insuficiente para dar de comer a seus filhos), tem uma sabedoria, um conhecimento de vida, um discernimento e uma paz que todos os nossos anos de estudo não foram capazes de trazer.
Nestas horas lembro do que meu pai sempre me disse:
-Conhecimento e sabedoria se completam, mas não se confundem.
Aí fico pensando, será verdade que a ignorância é a chave para a felicidade?
Creio que não.
Estas pessoas são felizes mesmo não sendo em nada ignorantes.
Podem até desconhecer (e quase sempre desconhecem) as coisas que os letrados tomam como sabedoria, mas conhecem coisas que quase nenhum letrado conheceu, ou se conheceu, esqueceu ao longo do caminho de honras, de glórias e de reconhecimento.
Uma coisa que estas pessoas conhecem bem, pelo menos em sua maioria, é a honra e a gratidão.
Se perguntarmos a uma destas pessoas, se não seria melhor, por exemplo, deixar seus pais em um asilo, provavelmente levaríamos duas surras. Uma física, devido à indignação gerada pela pergunta, outra, uma surra bem pior, uma surra moral, onde veríamos a gratidão destas pessoas por tudo o que seus pais lhe fizeram. Coisas simples como dar a vida, passar fome para que eles comessem (ainda que pouco), ensinar-lhes o sentido real da vida, abraçá-los em uma noite de frio (porque esta era a unica coberta que tinham), entre muitas outras coisas.
Agora eu penso: E se perguntassem isso para nós? Honestamente, qual seria a nossa resposta? E a nossa atitude? Seria igual a nossa resposta?
Pensando nestas coisas eu me pergunto. Se para nossos avós isso seria uma coisa inconcebível, como veio ocorrer, que para nós, isso tenha se tornado algo tão comum e o pior, nos pareça certo?
Porque a idéia de "se não produz mais, também não serve pra mais nada" está tão enraizada em nossos corações?
Será que tudo o que anos de estudos, de provas, de vitórias, de honras, de realizações e de conquistas nos arrancaram o entendimento do sentido da vida e nos fez vermos um ao outro somente como números?
Somos uma sociedade tão consumismo, que permitimos a morte, ou até a incentivamos e promovemos, simplesmente porque alguém já não produz mais ou porque jamais poderá produzir (como no caso de abortos de crianças que se descobre que serão especiais)?
O mais difícil de acreditar é como cada vez mais, nós, os cristãos estamos sendo favoráveis a estas coisas.
A vida não é mais o dom mais precioso que temos. Hoje, temos substituído-a por diversas outras coisas muito menores, como o dinheiro, a fama, o sucesso, o orgulho, o ter, o poder, a novela, o show, o teatro, o trabalho, a liberdade, uma balada, os estudos, a opinião dos outros, a necessidade de sermos aceitos, o medo, armamentos, a tecnologia, o lucro extremo (mesmo que custe a vida de todos ao nosso redor), etc, etc, etc...
Temos colocado tanta coisa como mais importante que a vida, que não é mesmo de se estranhar que um mundo cada vez mais rico, mais alfabetizado, mais tecnológico, seja também um mundo cada vez mais violento, mais homicida, mais individualista e mais longe de Deus e conseqüentemente da Paz e da Felicidade.
O mais decepcionante na verdade, é ver que mesmo ouvindo e presenciando tantas vezes estas cenas de desprezo pela vida, não somos capazes de mudar nosso comportamento e cada vez mais achamos que tudo isso é normal e que só o nosso prazer é capaz de balizar o que é certo e errado.
Então me digam, o que vocês acham? Estamos nos tornando realmente um povo mais sábio ou simplesmente nos enganando e dando desculpas para as nossas involuções, que não convencem nem a nós mesmos?
A Paz a todos e que Deus abençoe nossa semana e nossos passos.
13 abril 2010
Sabedoria
Marcadores:
astúcia,
caneta,
conhecimento,
Controvérsia,
dinheiro,
educação,
enxada,
idolatria,
relativismo,
respeito,
sabedoria,
vida
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário