09 março 2010

Uma lição muito interessante

Sempre gostei de coisas que me fizessem pensar. Talvés porque sou um grande cabeça dura que precisa que tanto o conhecimento quanto a compreenção venham de dentro pra fora. Talvés por isso sempre tenha gostado de rock.
Estou lendo um livro que provavelmente quando vocês lerem este texto já terei terminado de ler porque está mesmo muito interessante. O livro se chama "Rock, Fé e Poesia - 20 anos de Rosa de Saron narrados através de suas músicas".
Calma, calma... Antes que alguém pergunte, não estou ganhando nenhum jabá pra fazer propaganda dos caras não. Até mesmo porque eles nem sequer devem fazer idéia de que eu algum dia tenha aparecido na face da terra. Mas estou falando do livro porque realmente é muito bom. Pra quem gosta de rock cristão católico então melhor ainda e se forem admiradores da banda Rosa de Saron (como é o meu caso) é uma jóia rara. Mas deixando as propagandas de lado, vamos ao aprendizado que a leitura de uma das partes do livro me trouxe, afinal de contas, este é o propósito deste blog. Lições aprendidas.
Estava lendo o capítulo 2 do livro onde eles contam a história do CD "Diante da Cruz" e uma coisa me chamou muito atenção. A história da entrada do Grevão (Wellington Greve) na banda.
Antes de entrar no Rosa ele tocava em uma outra banda e teve de ouvir uma frase que tantas vezes as pessoas que não têm paciência para entender um ponto de vista, ou um gosto ou mesmo um chamado diferente têm de ouvir.
"Você não tem unção pra tocar com a gente."
Essa é uma frase tão recorrente no nosso meio nos dias de hoje não é verdade?
Eu mesmo já fui protagonista desta frase algumas vezes (pra minha infelicidade). E quando paro pra pensar, percebo que não era verdade o que eu estava dizendo. Na verdade eu não gostava de um ritmo ou outro que a pessoa curtia e o puritanismo musical de um muleque que acha que toca alguma coisa me fez dizer uma asneira dessa.
Mas isso não acontece só em bandas não é mesmo? Isso acontece nos mais diversos lugares. Parece uma forma maluca de tentar segurar um lugar ou um cargo não sei. Parece que aquilo é algo que pertence a nós e ninguém pode chegar perto se não... Ah se chegar perto eu mostro as garras e aí vai ver.
O pior de tudo é que geralmente, dez minutos depois, reclamamos que não tem ninguém que nos ajude, mas... nós expulsamos quem tenta se aproximar.
Lembrei-me hoje enquanto pensava sobre isso de um fato ocorrido comigo uma vez no salão da paróquia que frequentava quando morava em uma outra cidade.
O episódio é engraçado, mas ensina uma grande lição. Pelo menos para mim ensinou.
Estavamos rezando no salão agradecendo o grupo de oração que tinha sido muito ungido e onde várias graças tinham acontecido e eu e outro servo começamos a cada um falar mais auto que o outro, mas não pela empolgação do espírito, era declaradamente uma disputa entre os dois. Foi até engraçado porque de repente, só se ouvia a voz dos dois embora todos rezassem.
Muito sabiamente o coordenador do grupo entrou na sala (acredito que ele sim enviado pelo Espírito Santo pra me fazer aprender uma valiosissima lição) e disse pra que nós dois parassemos de rezar e rezassemos em silêncio.
Ao final da oração, eu como sempre muito curioso fui questioná-lo porque ele tinha dito para que só nós dois rezassemos em silêncio.
Ele inspirado pelo Espírito Santo me perguntou:
- Você conseguiu rezar em silêncio? Ou só conseguia rezar enquanto podia disputar com o seu amigo?
E finalizou com uma frase que nunca vou me esquecer:
- Deus não está na discórdia nem nas disputas e sim na Paz.

É bem verdade que nas nossas relações seculares isso é bastante comum. É o famoso puxar o tapete... Mas se existe essa prática nos lugares onde nós, os cristãos vivemos, é porque antes existe dentro de nós.
Estou aprendendo uma grande lição com este livro.
Espero poder fazer como fizeram o Rogério Feltrin e o Eduardo Faro que foram lá e chamaram o Grevão pro Rosa de Saron e construíram uma maravilhosa história de evangelização juntamente com aquele que não tinha unção.

"Ele disse: - O que? Não tem unção para tocar com eles? Mas tem unção para tocar no Rosa. Vamos chamar esse cara para tocar com a gente."
(Rogério Feltrin ao se referir às palavra de
Eduardo Faro ao saber do Grevão)