15 agosto 2010

Vida

Bom dia irmãos


Nestas últimas semanas mudamos de prédio no trabalho e como toda mudança essa nos colocou perante novos caminhos, novas realidades e novos desafios também.

No meu caso particularmente, gostei muito de uma combinação de fatos que me fizeram pensar em muitas coisas. Esta combinação foi receber um livro emprestado para ler e um caminho longo para percorrer de ônibus.

É engraçado como reclamamos sempre de não termos tempo para fazermos uma série de coisas, mas também é incrível como este tempo surge quando nosso trabalhou ou nosso sustento está em jogo e foi isso que aconteceu. Como tive que andar de ônibus um bom pedaço, acabei tendo tempo para parar e pensar em muita coisa que a tempos reclamava de não ter tempo para dar atenção.

E em um desses dias lendo o livro Amor Eterno, que minha noiva me emprestou, eu comecei a olhar para o caminho e pensar na vida, mas não assim, não pensar na minha vida ou no que deveria fazer para conseguir resolver algum problema que estava afetando minha vida, mas a pensar na vida. Na vida mesmo, no fato de existir vida e no fato desta vida ser algo tão persistente e até mesmo incoerente.

Não sei se já parou para pensar nisso, mas a vida é a única coisa (pelo menos que eu conheço) que é possível encontrar em qualquer lugar. Ela é tão persistente e tão penetrante que é possível encontrá-la a todo momento. Pássaros, árvores, pessoas, plantas, peixes e tantos outros são exemplos clássicos que sempre usamos, mas ainda muitos outros podem ser usados e nos farão entender que realmente, a vida está em todo lugar. Parei para pensar e lembrei de onde morava antes de vir para cá. Lá, quase todas as ruas eram asfaltadas, quase não tinha espaço para uma ou outra árvore que a prefeitura vez por outra plantava, mas mesmo assim, cada rachadinho no asfalto, lá estava uma graminha, uma florzinha de brejo, ou mesmo um batalhão de formigas.

Aqui onde moro hoje, é um lugar bastante seco, e por vezes, aqueles menos acostumados com o lugar, olham as árvores e pensam: Pobre coitada a seca foi tanta que a matou, mas engana-se, a vida ainda está ali, só esperando a primeira borrifada de água para voltar com força total. Lembro de quando cheguei aqui enviado a trabalho. Cheguei num mês de Novembro de um ano que não chovia nem uma gota desde maio. Dá pra imaginar como estava este lugar. Assim que peguei minha mala para ir para a casa que me acolheria por um tempo olhei para o chão e o que vi... Uma enorme desolação. Dava dó daquele chão. A grama, toda amarelada, parecia aqueles fenos de filme antigo de cowboy. Mas não demorou muito a chuva veio e uma noite de chuva foi o suficiente para eu sair na rua e ver aquela grama tão verde e aquelas árvores começando a dar sinal de que ainda estavam vivas e daí por diante durante o tempo que choveu cada vez mais as plantas se fortaleciam e a vida ia se mostrando forte e poderosa como sempre.

Outro bom exemplo de como a vida persiste em se mostrar, são as construções. Não sei se já teve a chance de ver um terreno em construção, mas eu tenho a chance de ver vários quase todo dia e é muito intrigante quando se quer ver o que Deus quer nos mostrar. Cada um destes terrenos estão geralmente sem nenhuma forma de vida, a não ser é claro os trabalhadores que ali labutam incansavelmente, mas vamos falar de outra forma de vida que fica ali escondida, quase imperseptivel, mas está ali. São os insetos e minhocas que de não deixam de habitar o local somente porque obras estão acontecendo.

Lembro de quando meu pai me contava, que tem uma planta, não lembro o nome agora, que só nasce em terrenos que foram queimados. É intrigante como algo que "destroi a vida" como o fogo, é capaz de produzir vida também e nem ele é capaz de fazer com que nenhuma forma de vida se manifeste em algum lugar.

Outros tantos exemplos podem ser levados em consideração e com certeza vão nos saltar aos olhos, como por exemplo, os desertos que por mais inosptos que sejam habitam uma imensa variedade de seres viventes, entre eles animais, insetos, plantas, aves etc. E o que dizer de lugares como as geleiras que são para nós seres humanos lugares quase que inabitáveis, porém, para os pinguins e tantos animais marinhos, são o habitat ideal para sobrevivencia.

Claro que só pensar nisso já seria um aprendizado sem tamanho, mas Deus nunca pensa pequeno não é mesmo, ele teve uma intenção ainda mais nobre ao me fazer pensar nisso. Mais do que ver que a vida está em qualquer lugar ele me mostrava que também em qualquer coração onde ainda há o mínimo pulsar existe vida e vida em abundância, pronta para se mostrar e crescer.

Deus me fez lembrar de tantas e tantas pessoas que dizem que não faz mais sentido continuar; Que tudo está perdido; Que esta terra não tem mais jeito (e infelizmente me vi entre os que dizem isso de vez em quando). E me mostrou que da mesma forma como a grama que está seca, amarela, sem graça, volta a vida quando encontra com a água, assim também o ser humano é capaz de voltar a vida contanto que beba da fonte da água viva. Fonte esta que é o próprio Cristo Jesus filho de Deus vivo.

Neste tempo em que Deus conversava comigo dentro daquele ônibus lotado. E aqui eu abro um pequeno parênteses para um comentário. Acho muito engraçado e por vezes admito, encantador a forma como Deus faz para conversar comigo. Sou um grande cabeça dura e quase sempre estou reclamando de falta de tempo e deixando muitas coisas de lado sob a desculpa de não ter tempo. E foi muito engraçado que ele me fez mudar de prédio na empresa onde trabalho e se aproveitou de uma característica minha de ser "mão de vaca" como dizem meus amigos, para fazer com que eu pegasse um ónibus que demora mais ou menos uma hora e meia para ir de casa até o local onde trabalho e lotou o ônibus de tal forma que o máximo que eu poderia fazer era ouvir o que ele tinha a me dizer. Obrigado Deus por ainda ter paciência comigo. Bom, mas, parênteses fechado e voltando ao assunto que realmente interessa, durante este tempo que Deus falava comigo no ônibus ele começou também a me dar um belo de um puxão de orelha, o qual estou tentando tirar proveito e fazer dele fonte de mudança na minha vida. Ele me mostrava que se mesmo em meio ao deserto mais seco, mesmo em meio aos lugares mais inosptos, há vida, eu, mera criatura, não podia julgar o meu irmão somente porque este cometera um erro ou um pecado que a meu ver era grave. E com isso ele me mostrava o quanto eu era errado quando dizia que alguém merecia morrer por ter feito tamanho pecado.


Espero que esta lição seja capaz de mudar meu coração e que está água de Deus seja capaz de fazer a minha grama ficar verde e cheia de vida.


Desejo a todos uma ótima semana e que Deus dê a todos nós muitos chuvas de suas torrentes de água viva para inundar os nossos corações.


A Paz de Cristo a todos e uma abençoada semana.



O Andor

A Paz de Cristo meu irmãos.


É difícil imaginar palavras mais acertadas do que as que disse uma vez o nosso falecido Papa João Paulo II:

- É preciso santificar as devoções.

Hoje é dia de Nossa Senhora da Assunção. Uma festa bonita que nos lembra que nossa senhora, a mãe de Jesus, não morreu, mas foi elevada aos céus para ser a primeira e experimentar a glória que aguarda todos aqueles que forem de Cristo por ocasião de sua vinda. Mas embora este seja um tema maravilhoso, não é bem sobre isso que gostaria de falar hoje.

Na verdade, uma coisa me chamou muito atenção hoje.

Como nestes dias, as pessoas ficam mais sucetíveis a caridade. E não estou somente falando da caridade de colaborar financeiramente com aqueles irmãos mais necessitados, mas estou falando da caridade no seu sentido mais amplo. Estou falando da abertura do coração à quem está perto, a quem está próximo.

Faz quase três anos que frequento uma paróquia aqui onde resido que foi, e está sendo ainda, erguida em honra a nossa senhora da assunção, e por isso este fato ocorreu hoje, dia dela.

Tenho alguns poucos conhecidos aqui a paróquia. Pessoas que por vezes me cumprimentam, outras que até conversam um pouco mais comigo e me parecem mais amistosas, mas todas elas são em geral, e devo admitir que eu também, pessoas um tanto quanto fechadas. Pessoas que pelas dificuldades impostas pela vida, se fecharam a um convívio muito franco e por isso talvez, não são tão receptivos em um primeiro momento. Talvez até por medo de serem mal interpretados.

Bom, o fato é que hoje, como em toda festa que se prese em homenágem à padroeira, houve uma procissão e como em todas as procissões, um andor. E esta simples carruagem de madeira, levada por alguns homens da paróquia, foi suficiente para fazer com que estes se unissem em torno de um ideal.

Pessoas que provavelmente nunca haviam se falado antes - Digo isso porque estava entre estes e nunca tinha falado com nenhum deles antes - estavam juntas carregando aquele andor, olhando diretamente uns nos rostos dos outros e percebendo a dor ou o cansaço de cada um, se prontificando a ajudar a carregar tal andor.

E claro, era preciso ter organização, afinal de contas, ora se vai mais rápido, ora mais devagar, ora um lado está mais alto, ora mais baixo e com o tempo por incrível que pareça, aquelas pessoas que nunca tinham se falado, estavam todas organizadas, de certa forma, haviam até se formado pequenos "times" que se revesavam no seguir da procissão. Então, quando um mais baixo pegava de um lado, aquele que também era mais baixo pegava do outro para equilibrar o andor e a imagem da santa não cair e assim por diante.

Devem estar se perguntando o porque comecei falando que eram muito sábias as palavras do nosso falecido Papa João Paulo II. E é muito simples o motivo. Se uma devoção, como o fato de carregar um andor, fazer uma novena, seguir uma procissão, cantar cantigas de reis e tantas outras que conhecemos e que nosso povo vive, é capaz de unir as pessoas de tal maneira em torno de um ideal, é preciso sim, investir nestes pontos, nestes momentos, para promover a fé do povo.

É necessário estar nestes lugares, conversando com estas pessoas, acolhendo estes irmãos e chamando-os para o convívio daquela família, durante estes momentos em que a família se reune. É como em uma família onde o pai chega tarde, a mãe não tem muito tempo para brincar com os filhos, os irmãos mais velhos trabalham e estudam e também chegam tarde em casa, mas no final de semana, todos se sentam à mesma mesa e têm um almoço ou um jantar juntos e podem alí compartilhar suas tristesas e alegrias, suas esperanças para uma nova semana, ou mesmo buscar um consolo para as batalhas enfrentadas durante a semana que passou.

Este é o momento de estarmos juntos com estes irmãos e convidá-los a fazerem parte desta mesa mais vezes.

Sinto falta desta atitude dentro de nossa igreja muitas vezes e sei que isso não é uma coisa que os padres ou os bispos possam fazer, afinal de contas, são tantos os fieis a serem acolhidos. Como chegar a cada um?

Através de outros fieis.

Espero que consigamos aprender a usar de cada momento para convidar nossos irmãos a fazerem parte da mesa de Cristo. Não podemos perder oportunidades. Temos que ser como disse o apóstolo Paulo: Me fiz fraco para os fracos, sábio para os sábios, humilde para os humildes, enfim, me fiz tudo para todos.


Que a interecessão de Nossa Senhora da Assunção nos guie a enteder esta vontade de Deus e nos leve a vivermos o amor de seu filho Jesus Cristo que nos pede a cada dia para convidarmos nossos irmãos para a mesa do seu banquete.


Fiquemos em Paz e que Deus nos guie em mais esta semana.

Presente nunca recebido

Era uma vez um rapaz que trabalhava em uma empresa como faxineiro e ganhava um salário mínimo. E por ter muitos compromissos, esta pessoa precisava fazer serviços de ajudante geral durante os finais de semana, além de sua esposa ter que fazer artesanatos para vender e prestar serviços de arrumadeira.


Este rapaz que trabalhava muito para poder se sustentar e sustentar sua família que estava prestes a receber um novo membro. Seu quarto filho que estaria chegando ao mundo em no máximo mais dois meses.

O pai deste rapaz tinha três irmãos, todos eles muito trabalhadores, mas também muito pobres, que eram muito próximos da família. No entanto, um quarto tio deste rapaz não morava no Brasil e por isso, não era tão próximo à família, sendo na verdade bastante ausente.

Este tio, comovido com a situação de seu sobrinho, resolveu abrir uma conta em nome do mesmo nos Estados Unidos e depositou nesta conta valor suficiente para sustentar sua numerosa família enquanto eles vivessem e mandou uma carta para o sobrinho informando a gentileza juntamente com o contrato de abertura da conta, contrato este que lhe daria direito a utilizar o valor lá depositado.

No entanto, um problema aconteceu e a carta foi roubada.

Por algumas vezes o tal tio mandou outras cartas que sempre se perdiam antes de chegar ao seu destino.

Um belo dia o próprio tio foi encontrar o sobrinho para lhe dar a notícia, mas o sobrinho, triste com a ausência do tio, não quis recebê-lo e por mais que tentasse o tio não conseguiu conversar com o sobrinho para entregar-lhe o presente.

Não conseguindo falar com o sobrinho, o tio passou a tentar se aproximar do sobrinho de todas as formas possíveis, enquanto isso, o sobrinho continuava sofrendo todas as dificuldades para sustentar a família. E sendo ele dono de uma fortuna, não usufruía em nada deste bem.


Esta história se parece de alguma forma com algo que você conheça?


Se você disse de cara que não pense melhor. Você tem usufruído de todos os bens que Deus te deu na cruz através do seu filho Jesus Cristo?


Um grande abraço a todos e que Deus abençoe a todos aqui.