A Paz de Cristo meu irmãos.
É difícil imaginar palavras mais acertadas do que as que disse uma vez o nosso falecido Papa João Paulo II:
- É preciso santificar as devoções.
Hoje é dia de Nossa Senhora da Assunção. Uma festa bonita que nos lembra que nossa senhora, a mãe de Jesus, não morreu, mas foi elevada aos céus para ser a primeira e experimentar a glória que aguarda todos aqueles que forem de Cristo por ocasião de sua vinda. Mas embora este seja um tema maravilhoso, não é bem sobre isso que gostaria de falar hoje.
Na verdade, uma coisa me chamou muito atenção hoje.
Como nestes dias, as pessoas ficam mais sucetíveis a caridade. E não estou somente falando da caridade de colaborar financeiramente com aqueles irmãos mais necessitados, mas estou falando da caridade no seu sentido mais amplo. Estou falando da abertura do coração à quem está perto, a quem está próximo.
Faz quase três anos que frequento uma paróquia aqui onde resido que foi, e está sendo ainda, erguida em honra a nossa senhora da assunção, e por isso este fato ocorreu hoje, dia dela.
Tenho alguns poucos conhecidos aqui a paróquia. Pessoas que por vezes me cumprimentam, outras que até conversam um pouco mais comigo e me parecem mais amistosas, mas todas elas são em geral, e devo admitir que eu também, pessoas um tanto quanto fechadas. Pessoas que pelas dificuldades impostas pela vida, se fecharam a um convívio muito franco e por isso talvez, não são tão receptivos em um primeiro momento. Talvez até por medo de serem mal interpretados.
Bom, o fato é que hoje, como em toda festa que se prese em homenágem à padroeira, houve uma procissão e como em todas as procissões, um andor. E esta simples carruagem de madeira, levada por alguns homens da paróquia, foi suficiente para fazer com que estes se unissem em torno de um ideal.
Pessoas que provavelmente nunca haviam se falado antes - Digo isso porque estava entre estes e nunca tinha falado com nenhum deles antes - estavam juntas carregando aquele andor, olhando diretamente uns nos rostos dos outros e percebendo a dor ou o cansaço de cada um, se prontificando a ajudar a carregar tal andor.
E claro, era preciso ter organização, afinal de contas, ora se vai mais rápido, ora mais devagar, ora um lado está mais alto, ora mais baixo e com o tempo por incrível que pareça, aquelas pessoas que nunca tinham se falado, estavam todas organizadas, de certa forma, haviam até se formado pequenos "times" que se revesavam no seguir da procissão. Então, quando um mais baixo pegava de um lado, aquele que também era mais baixo pegava do outro para equilibrar o andor e a imagem da santa não cair e assim por diante.
Devem estar se perguntando o porque comecei falando que eram muito sábias as palavras do nosso falecido Papa João Paulo II. E é muito simples o motivo. Se uma devoção, como o fato de carregar um andor, fazer uma novena, seguir uma procissão, cantar cantigas de reis e tantas outras que conhecemos e que nosso povo vive, é capaz de unir as pessoas de tal maneira em torno de um ideal, é preciso sim, investir nestes pontos, nestes momentos, para promover a fé do povo.
É necessário estar nestes lugares, conversando com estas pessoas, acolhendo estes irmãos e chamando-os para o convívio daquela família, durante estes momentos em que a família se reune. É como em uma família onde o pai chega tarde, a mãe não tem muito tempo para brincar com os filhos, os irmãos mais velhos trabalham e estudam e também chegam tarde em casa, mas no final de semana, todos se sentam à mesma mesa e têm um almoço ou um jantar juntos e podem alí compartilhar suas tristesas e alegrias, suas esperanças para uma nova semana, ou mesmo buscar um consolo para as batalhas enfrentadas durante a semana que passou.
Este é o momento de estarmos juntos com estes irmãos e convidá-los a fazerem parte desta mesa mais vezes.
Sinto falta desta atitude dentro de nossa igreja muitas vezes e sei que isso não é uma coisa que os padres ou os bispos possam fazer, afinal de contas, são tantos os fieis a serem acolhidos. Como chegar a cada um?
Através de outros fieis.
Espero que consigamos aprender a usar de cada momento para convidar nossos irmãos a fazerem parte da mesa de Cristo. Não podemos perder oportunidades. Temos que ser como disse o apóstolo Paulo: Me fiz fraco para os fracos, sábio para os sábios, humilde para os humildes, enfim, me fiz tudo para todos.
Que a interecessão de Nossa Senhora da Assunção nos guie a enteder esta vontade de Deus e nos leve a vivermos o amor de seu filho Jesus Cristo que nos pede a cada dia para convidarmos nossos irmãos para a mesa do seu banquete.
Fiquemos em Paz e que Deus nos guie em mais esta semana.
15 agosto 2010
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