Hoje mais uma vez fui levado a pensar em um aspecto particular da vida e em como ele pode nos afetar.
Muitos falam a respeito dele. Cristãos e não cristãos tentam dar soluções para o problema, mas sempre estamos as voltas com tal problema. Talvés por que ele não dependa tanto das coisas externas para ser solucionado e sim de nós mesmos.
Não sucumbir a este problema, no meu modo de ver, é muito mais uma questão de escolha do que uma questão de oportunidade. Calma, eu explico.
Me parece que este problema está muito mais ligado à forma como vemos o mundo do que à forma como o mundo se apresenta a cada um de nós.
A rotina, como costumamos chamar hoje em dia, é conhecida por muitos outros nomes, como monotonia, repetição, muitas vezes chatisse etc, mas ela está muito mais ligada a forma como vemos o mundo ou como convivemos com ele, do que com o que Deus nos oferece dia a dia para vivermos.
Se pararmos para pensar, é estranho dizermos que tudo é sempre igual, que nossos dias são a mesma coisa. Na verdade não são. Não é verdade meu amigo? A cada dia, vemos pessoas novas. Um pássaro que não esteve ontem no seu caminho, hoje estava, ou aquele que ontem esteve hoje já não está mais e talvés (na maioria das vezes) nem sabemos porque, só sabemos que não está mais lá. Ops... Quer dizer... será que sabemos? Será que prestamos atenção, a ponto de perceber que aquele pássaro já não está mais lá?
Trabalhei um tempo em uma função na qual tinha a impressão que tudo era sempre igual. Cliente chegando, reclamando de diversos problemas, ou solicitando diversos tipos de atendimento, tendo seus problemas solucionados (graças a Deus na maioria das vezes) e voltando pra suas casas. Mas... será que isso é mesmo uma rotina? Será mesmo que nunca tinha nada de novo? Naquela época eu jurava que não, mas... todos aqueles clientes tinham uma expectativa e com certeza a de um era diferente da do outro. Quantos clientes ao apresentarem seus problemas apresentavam também pedaços de suas vidas. Verdadeiros tesouros esperando serem admirados e que devo admitir, na maioria das vezes, não eram. E porque? Porque tudo sempre parecia uma eterna rotina.
Quantas outras vezes com meus amigos, deixava que palavras, gestos, sorrizos e lágrimas passassem despercebidos, como um vulto visto de uma janela de metrô que nunca vamos saber o que era.
E com nossos pais, quantos conselhos, quantas preocupações, afetos, carinhos, medos e quanto amor deles simplesmente desperdiçamos, porque sempre achavamos que a ladainha era sempre igual. Quantas vezes ouvimos aquele sermão extremamente chato que nos instruia a termos juízo, não andar com más companhias, olhar pra atravessar a rua, e tantas outras coisas que nos pareciam uma mesmisse sem tamanho, mas que por trás delas estavam um enorme amor por cada um de nós e nunca paramos para pensar no porque de todas aquelas palavras. E quantos hoje infelizmente não estão mais entre nós justamente por isso. Eu conheço alguns que lembro com carinho. Você também deve conhecer.
Ao contrário, sempre tinhamos em nossa mente a mesma frase: "ai que chatisse, vai falar tudo isso de novo, chega eu já sei, ahan, ahan, ahan". E cada vez entravamos mais em uma prisão de falta de sentido e tudo porque olhamos para as maiores belezas da vida como se fossem só uma repetição.
Isto se aplica também e tão bem nos nossos relacionamentos afetivos, e claro, por consequencia nas famílias. Quantas vezes dizemos que tudo é uma rotina e deixamos tudo cair em uma estressante monotonia, simplesmente porque ao chegarmos em casa não dizemos um "eu te amo", ou um "estava com saudade", ou mesmo não queremos lavar a louça que sujamos para jantar. Quantas famílias acabando por culpa da rotina simplesmente porque ninguém estava disposto a receber o outro com um sorrizo de felicidade pela sua chegada. Quase sempre o que sabemos é dizer que o outro nunca faz o que queremos, que ele nunca está tao cordial como gostariamos e mais uma vez entramos na idéia falsa de que sempre o outro é culpado pela rotina da nossa vida. Sempre ou outro, o outro, o outro e isso continua acontecendo simplesmente porque nós transformamos tudo em um mesmisse que nos consome.
Acredito fielmente que sua vida meu amigo leitor, também tem muitos momentos assim. Talvés com clientes, com amigos com os pais, com a família, com Deus...(esse eu deixo pra você refletir, mas... Notou como o dia está particularmente belo hoje?), mas a grande pergunta que fica é:
Será mesmo que não existe nada de novo em nossos dias?
Será que o meu e o seu dia são simplesmente um remoer de horas infindáveis e sem sentido?
E aquela criança que sorriu pra você hoje no ônibus apertado, não tocou nem um pouco o seu coração?
E aquele velhinho, que já quase sem forças ajudou seu netinho a atravessar a rua? Não lhe trouxe uma certa saudade e também um desejo de algum dia poder fazer o mesmo?
E aquela chuva que te fez correr e chegar todo molhado no trabalho, mas que ainda assim refrescou aquele calor que ontem quase te matava sufocado? Será que não fez você lembrar de quando era criança e brincava na chuva e por incrível que pareça, adorava se molhar?
E aquele pedido de sua esposa para que a ajude, ou do seu esposo para que lhe ouça os problemas do dia e lhe seja amigável (Ou vice-e-versa)? Será que era igual ao de um mês atrás?
Ah e aquele beijo de boa noite de um de seus filhos, ou a pirraça para não dormir e... de repente, pronto... dormiu. Será que não te lembra alguém?
Bom, gostaria de deixar aqui uma proposta, e também de fazer um propósito. Vou buscar a cada dia, algo novo no meu caminho. Alguma coisa que me tire do automático. Algo que me faça perceber que a cada dia, vivo um novo dia. Aceitando os desafios do dia e principalmente percebendo o amor de Deus em cada momento. E você, topa o desafio?
Que Deus nos abençoe sempre e continue nos dando, cada dia mais, a sua Paz.
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