27 janeiro 2010

Exortação

Confesso que as vezes fico me perguntando o que uma exortação é capaz de causar e neste assunto não estou nem sequer falando de exortação cristã. Uma exortação pode criar diversos sentimentos e diversos frutos dentro de cada um de nós, como por exemplo a incerteza ou a insegurança. Em outros casos, pode ser o estopim de uma revolta geralmente infundada, ou mesmo causar a reação esperada, um aprendizado.
Creio, ou pelo menos espero, que colocar a geração de um aprendizado em último lugar, tenha causado estranheza em quem está lendo este texto, mas... será que esta estranheza tem razão de existir?
O que eu quero dizer é, será que quando recebemos uma exortação, ou pra usar o termo que geralmente usamos, quando recebemos uma bronca, nos colocamos na posição de quem está aprendendo?
Se não temos a facilidade de nos colocarmos como aprendizes pois isto fere o nosso ego, será que ao menos conseguimos confrontar a exortação com a nossa visão de realidade e simplesmente verificar se faz sentido ou não o que nos foi colocado?
Vivemos hoje num mundo onde isso é cada vez mais difícil de acontecer. Sob a desculpa de sermos os fortes, que mandam, fazem e podem, nos tornamos na verdade fracos porque não somos capazes de ouvir algo contrário àquilo que pensamos e simplesmente analisarmos se está certo ou errado.
O mundo hoje tem uma visão tão individualista, que as pessoas ao invés de discutirem um assunto em busca de uma solução, matam o seu oponente porque este representava uma pedra em seu caminho; atualmente ao ouvirmos uma opinião diferente da nossa, simplesmente por ser diferente, ou por não termos nós pensado antes daquela forma, desprezamos a mesma e simplesmente a ignoramos.
Este texto surgiu de uma missa na qual participei a alguns finais de semana atrás, onde o sacerdote ao iniciar a liturgia da palavra, pediu que os fieis se mantivessem atentos para que nada se perdesse daquilo que fosse proclamado. No entanto, ao invés disso produzir o silêncio esperado, produziu um falatório ainda maior, simplesmente porque as pessoas não concordavam com aquela solicitação.
A partir deste ocorrido, estive pensando no quanto somos assim. Por mais que estejamos dispostos a crescer e aprender, sempre que alguém nos mostra onde devemos fazê-lo, temos a atitude de nos revoltar e reclamar ao invés de tentar entender e verificar a importância e o motivo pelo qual aquela exortação nos está sendo dada.
Fiz o propósito comigo mesmo de nesta semana buscar momentos em que sou exortado e me revolto ao invés de ouvir e buscar aprender e crescer com a exortação e admito que estou me assustando com o tanto de vezes que isto ocorre...
Fica aqui a proposta de um propósito para nossas vidas...ou para nossa próxima semana...
Como eu reajo as exortações que recebo? Será que em mim elas estão provocando o seu objetivo principal, ou seja, causando um aprendizado? Ou será que sou mais um a dar motivos para o inicio deste texto,  colocar esta, como a última das coisas que uma exortação nos traz?

Tenhamos todos uma ótima semana e que Deus nos abençoe e nos ensine a viver sua vontade. Sempre.
A Paz de Cristo esteja com todos nós.

18 janeiro 2010

Rotina

Olá amigos, a Paz de Jesus!

Hoje mais uma vez fui levado a pensar em um aspecto particular da vida e em como ele pode nos afetar.
Muitos falam a respeito dele. Cristãos e não cristãos tentam dar soluções para o problema, mas sempre estamos as voltas com tal problema. Talvés por que ele não dependa tanto das coisas externas para ser solucionado e sim de nós mesmos.
Não sucumbir a este problema, no meu modo de ver, é muito mais uma questão de escolha do que uma questão de oportunidade. Calma, eu explico.
Me parece que este problema está muito mais ligado à forma como vemos o mundo do que à forma como o mundo se apresenta a cada um de nós.
A rotina, como costumamos chamar hoje em dia, é conhecida por muitos outros nomes, como monotonia, repetição, muitas vezes chatisse etc, mas ela está muito mais ligada a forma como vemos o mundo ou como convivemos com ele, do que com o que Deus nos oferece dia a dia para vivermos.
Se pararmos para pensar, é estranho dizermos que tudo é sempre igual, que nossos dias são a mesma coisa. Na verdade não são. Não é verdade meu amigo? A cada dia, vemos pessoas novas. Um pássaro que não esteve ontem no seu caminho, hoje estava, ou aquele que ontem esteve hoje já não está mais e talvés (na maioria das vezes) nem sabemos porque, só sabemos que não está mais lá. Ops... Quer dizer... será que sabemos? Será que prestamos atenção, a ponto de perceber que aquele pássaro já não está mais lá?
Trabalhei um tempo em uma função na qual tinha a impressão que tudo era sempre igual. Cliente chegando, reclamando de diversos problemas, ou solicitando diversos tipos de atendimento, tendo seus problemas solucionados (graças a Deus na maioria das vezes) e voltando pra suas casas. Mas... será que isso é mesmo uma rotina? Será mesmo que nunca tinha nada de novo? Naquela época eu jurava que não, mas... todos aqueles clientes tinham uma expectativa e com certeza a de um era diferente da do outro. Quantos clientes ao apresentarem seus problemas apresentavam também pedaços de suas vidas. Verdadeiros tesouros esperando serem admirados e que devo admitir, na maioria das vezes, não eram. E porque? Porque tudo sempre parecia uma eterna rotina.
Quantas outras vezes com meus amigos, deixava que palavras, gestos, sorrizos e lágrimas passassem despercebidos, como um vulto visto de uma janela de metrô que nunca vamos saber o que era.
E com nossos pais, quantos conselhos, quantas preocupações, afetos, carinhos, medos e quanto amor deles simplesmente desperdiçamos, porque sempre achavamos que a ladainha era sempre igual. Quantas vezes ouvimos aquele sermão extremamente chato que nos instruia a termos juízo, não andar com más companhias, olhar pra atravessar a rua, e tantas outras coisas que nos pareciam uma mesmisse sem tamanho, mas que por trás delas estavam um enorme amor por cada um de nós e nunca paramos para pensar no porque de todas aquelas palavras. E quantos hoje infelizmente não estão mais entre nós justamente por isso. Eu conheço alguns que lembro com carinho. Você também deve conhecer.
Ao contrário, sempre tinhamos em nossa mente a mesma frase: "ai que chatisse, vai falar tudo isso de novo, chega eu já sei, ahan, ahan, ahan". E cada vez entravamos mais em uma prisão de falta de sentido e tudo porque olhamos para as maiores belezas da vida como se fossem só uma repetição.
Isto se aplica também e tão bem nos nossos relacionamentos afetivos, e claro, por consequencia nas famílias. Quantas vezes dizemos que tudo é uma rotina e deixamos tudo cair em uma estressante monotonia, simplesmente porque ao chegarmos em casa não dizemos um "eu te amo", ou um "estava com saudade", ou mesmo não queremos lavar a louça que sujamos para jantar. Quantas famílias acabando por culpa da rotina simplesmente porque ninguém estava disposto a receber o outro com um sorrizo de felicidade pela sua chegada. Quase sempre o que sabemos é dizer que o outro nunca faz o que queremos, que ele nunca está tao cordial como gostariamos e mais uma vez entramos na idéia falsa de que sempre o outro é culpado pela rotina da nossa vida. Sempre ou outro, o outro, o outro e isso continua acontecendo simplesmente porque nós transformamos tudo em um mesmisse que nos consome.

Acredito fielmente que sua vida meu amigo leitor, também tem muitos momentos assim. Talvés com clientes, com amigos com os pais, com a família, com Deus...(esse eu deixo pra você refletir, mas... Notou como o dia está particularmente belo hoje?), mas a grande pergunta que fica é:
Será mesmo que não existe nada de novo em nossos dias?
Será que o meu e o seu dia são simplesmente um remoer de horas infindáveis e sem sentido?
E aquela criança que sorriu pra você hoje no ônibus apertado, não tocou nem um pouco o seu coração?
E aquele velhinho, que já quase sem forças ajudou seu netinho a atravessar a rua? Não lhe trouxe uma certa saudade e também um desejo de algum dia poder fazer o mesmo?
E aquela chuva que te fez correr e chegar todo molhado no trabalho, mas que ainda assim refrescou aquele calor que ontem quase te matava sufocado? Será que não fez você lembrar de quando era criança e brincava na chuva e por incrível que pareça, adorava se molhar?
E aquele pedido de sua esposa para que a ajude, ou do seu esposo para que lhe ouça os problemas do dia e lhe seja amigável (Ou vice-e-versa)? Será que era igual ao de um mês atrás?
Ah e aquele beijo de boa noite de um de seus filhos, ou a pirraça para não dormir e... de repente, pronto... dormiu. Será que não te lembra alguém?


Bom, gostaria de deixar aqui uma proposta, e também de fazer um propósito. Vou buscar a cada dia, algo novo no meu caminho. Alguma coisa que me tire do automático. Algo que me faça perceber que a cada dia, vivo um novo dia. Aceitando os desafios do dia e principalmente percebendo o amor de Deus em cada momento. E você, topa o desafio?

Que Deus nos abençoe sempre e continue nos dando, cada dia mais, a sua Paz.

10 janeiro 2010

Obediência

A paz de Cristo meus amigos.

Sejam todos muito bem vindos, e que a paz de nosso Senhor Jesus Cristo nos ilumine, para que tudo o que aqui for publicado, seja para nossa edificação e jamais para gerar discórdia ou de contendas.

Neste primeiro tema do BLOG, quero compartilhar minhas impressões pessoais, a respeito de um tema que a meu ver, costuma nos trazer muitas dificuldades e ser motivo de muitos se distanciarem de Deus.
Estamos hoje em um mundo, que nos leva a pensar que somente aquilo que entendemos pode nos trazer algum benefício e que a nossa compreensão científica deve ser a luz que conduz os nossos passos. Mas se é esse realmente o único caminho, fica uma pergunta que se fez presente há alguns dias em meu coração, ao ouvir a homilia aqui na paróquia que freqüento. Será que os grandes homens e mulheres da fé entenderam o que Deus queria deles quando foram chamados?
Em tantos momentos percebemos na vida dos seguidores de Deus que a compreensão não era o mais importante. Quantas vezes Deus chamou pessoas do meio do povo, que nós julgaríamos, sem a mínima condição de realizar uma missão.
Podemos ver inúmeros exemplos, como o de Davi, que era o filho mais moço e que nem sequer foi levando em conta por seu pai, quando o profeta de Deus foi ao acampamento ungir o novo rei de Israel. Maria, mulher simples do povo, mas que recebeu de Deus a maior da honras, ser a mãe do seu filho Jesus. Pedro, um pobre pescador que tantas vezes foi duro de coração e teve medo de professar a fé que tinha em Cristo. Paulo, que se chamava Saulo e era perseguidor dos Cristãos. Tantos e tantos foram os chamados por Deus, que nós com certeza, se fossemos conselheiros deste Deus, tentaríamos a todo custo, desencoraja-lo de chamar, tamanha a incapacidade dos mesmos, aos nossos olhos cientificamente corretos, de realizar tais missões.
Então mais uma vez fico pensando, o que será que fez com que Deus escolhesse estes homens e não aqueles que todos acreditavam ser os mais apropriados para cumprir as grandes missões?
Será que ele não poderia chamar qualquer outro?
Será que qualquer outro atenderia a ele como estes atenderam?
Será que eu atenderia? Ou melhor, será que estou atendendo? Por que ele com certeza continua nos chamando. Será que atendemos?
E a resposta brotou ao meu coração na homilia de um destes domingos do advento. Deus chama aqueles que são capazes de obedecer a Sua vontade e de fazer o que tem que ser feito da forma como Ele deseja. Aqueles que não vão deixar que os conhecimentos e as teorias das escolas e das grandes universidades ponham por terra a vontade de Deus. E pensando nisso, me vem a mente o quanto é difícil obedecer.
Tem tantas pessoas na nossa vida que obedecemos porque queremos algo em troca, mas se não precisássemos destas pessoas para nada, jamais as obedeceríamos.
Quantos filhos que só obedecem os pais porque ainda não conseguem se virar sozinhos e dizem com todas a letras, muitas vezes na cara de seus pais: "espera até eu ter meus dezoito anos...". Quantos empregados que só obedecem seus patrões porque precisam do salário, mas guardam em seus corações grandes mágoa por terem de se submeter a vontade de seus chefes. Quantos maridos e esposas que já não se obedecem mais, porque buscam provar um para o outro e para si mesmos, que o que o outro diz sempre está errado.
Fico honestamente pensando o que seria do mundo se Maria, quando anjo lhe anunciou que o filho de Deus nasceria de seu ventre, tivesse dito ao anjo: "Fico muito honrada com o convite, mas não... Eu tenho que me casar. Já estou prometida a José, moço bom, trabalhador e honesto e além disso não quero ser apedrejada no meio da rua como uma adultera". Porque é isso que nós diríamos se estivéssemos no lugar dela. Não?
E se Jesus dissesse ao Pai: "Bom meu Pai, já vim ao mundo, já fiz os milagres que o Senhor me pediu, já dei pão aos famintos e já curei outros tantos, mas agora esta história de morrer na cruz pra salvar pecador, ai o Senhor já ta pedindo demais." O que seria hoje da humanidade? O que seria de nós, que batemos no peito e dizemos que somos cristãos? Amém, pois temos mesmo que professar a nossa fé, mas a pergunta que não cala em meu peito é: E se fosse comigo?
Com a nossa racionalidade, o nosso conhecimento cientifico, as nossas verdades, nossa falsa liberdade e tantas outras coisas, tudo o que conseguimos foi um século de guerras e destruições, onde a tecnologia cresceu de forma assombrosa, mas a humanidade definha como que acometida de um câncer em um leito de morte, e infelizmente, neste novo século, não temos sido muito melhores.
Nos orgulhamos da vida de tantos santos que sempre mostraram a obediência como caminho e somos muito piedosos ao lembrar de todos eles, mas não conseguimos tê-los como exemplo de obediência.
É possível perceber que um grande mal tem entrado no mundo e tomado muitos corações, um mal que nos leva a crer que a nossa inteligência é a base de tudo. Somos levados a acreditar que se não cabe dentro da nossa inteligência, então não nos serve. Pode servir para o outro, mas não para mim. E com essa atitude, tantas vezes podamos a graça de Deus e não deixamos que ela aconteça nas nossas vidas e na vida de tantas outras pessoas, simplesmente porque não conseguimos obedecer a Deus. Não conseguimos aceitar que Deus sabe o que é melhor para cada um de nós e simplesmente obedecer. Somos como uma criança arteira que corre chorando para os braços do pai quando leva um choque, após brincar com aquela tomada que nosso pai sempre nos manda ficar afastados.

Por favor não levem a mal minhas palavras, afinal de contas inúmeras vezes o desobediente do texto acima sou eu mesmo, caso contrário esta reflexão não teria brotado em meu coração, mas o que me pergunto e gostaria de também deixar como um questionamento a todos os que venham a seguir este blog é:

Será mesmo, que não vale a pena obedecer?
Será mesmo, que a nossa inteligência humana que criou aviões que hoje são usados nas guerras, que criou armas que hoje matam nossos filhos, que criou a televisão que ao invés de nos instruir só traz morte e mentira para os nossos lares, será mesmo que esta inteligência pode ser maior e mais perfeita do que os desígnios de Deus para nossas vidas? Então porque ainda assim não o obedecemos?

A paz irmãos e que Deus ilumine nossas mentes e nossos corações e nos ajude a VIVER BEM o seu Amor.