20 março 2010

Confiar

Esta semana relembrei uma das mais belas lições que aprendi na minha vida.

Confiar tudo à Deus.

É engraçado pensar assim, mas quando saí da minha cidade natal para seguir viagem para outra cidade em busca de trabalho, minha mãe estava doente e eu tinha a esperança de conseguir minimizar suas preocupações vindo pra cá e também conseguir ajudar nos tratamentos dela. E isso graças a Deus realmente aconteceu e hoje pra glória de Deus ela está muito bem (as vezes eu penso que tem até mais saúde do que eu que em vista dela ainda sou moleque), mas não foi nada fácil deixar meus pais em uma outra cidade e partir em busca de um novo lugar, uma nova terra, um novo sonho.
Fiquei pensando na angústia que deve ter sentido Abraão ao sair de sua terra e seguir somente o que Deus lhe pedia para fazer e de certa forma me senti como se também Deus me pedisse um dom muito precioso, pois naquele momento, por muitas vezes tive medo de atender o telefone e receber a noticia de um agravamento no quadro de saúde de minha mãe ou até coisa pior. Mas da mesma forma como aconteceu com Abraão, Deus também não me tirou aquilo que tinha de precioso, que era a vida de minha mãe e ainda me deu outro dom precioso, aquela que hoje é minha noiva.

Agora podem perguntar porque teria eu me lembrado disso justamente nesta semana. Pois bem, nesta semana uma pessoa muito importante e especial na minha vida também me deu um sustinho (que graças a Deus já está passando), mas quando tudo se acalmou e a poeira abaixou, foi o dia do jejum comunitário que faço em comunhão com alguns irmãos e fiquei refletindo como somos frágeis. E não estou dizendo das pessoas que estão doentes, mas sim daqueles que tentam de todas as formas salvar estas vidas. Pais, mães, esposos, esposas, amigos, irmãos, desconhecidos, todos aflitos para resolver um problema sobre o qual não temos nenhum poder. Um problema sobre o qual nosso único controle, é entregar nas mãos de quem sabe como resolver. Muitas vezes um médico, outras, somente Deus.
E então, vinha a minha cabeça sempre:
Como alguém (como eu e como tantos outros) que só se sente seguro tendo total controle do que está acontecendo para poder decidir pelo que considera melhor, pode se sentir seguro numa situação como essa?
E incrivelmente a resposta, como sempre, se apresentou na forma mais simples, mais singela e por isso mesmo mais sábia e desafiadora de todas.

Confiar.

Assim como uma criança que está aprendendo a andar confia em seu pai, que lhe chama para perto de si. E vai.
Assim como Abraão fez ao sair de sua terra e foi ao encontro daquele Deus que resolvera falar com ele em meio àquele povo. E foi.
Assim como Maria que viu todos os seus planos serem mudados pelo anjo de Deus em poucos minutos. E aceitou.
Assim como tantos outros que durante a história da salvação tiveram suas vidas tocadas por Deus e simplesmente

Confiaram.

Ainda tenho que aprender muitas vezes esta lição, mas sei que Deus é paciente e vai continuar me ensinando. Acredito que entre outros motivos, por isso me trouxe para cá. Para me ensinar a confiar.

Obrigado por tudo Senhor.





Meu Herói

Oi amigos, tudo bem?

A Paz de Jesus!

Esta semana foi bastante corrida, por isso o blog ficou parado, mas foi uma semana de muito aprendizado também.
Uma coisa bastante interessante que aconteceu esta semana foi uma conversa com alguns amigos sobre heróis, ou melhor dizendo, como todos procuram um herói pra se espelhar. Super-homem, mulher maravilha, homem aranha, chapolin (sim, chapolin também é um herói), x-man, batman, entre tantos outros. E o mais engraçado é que sempre escolhemos para serem nossos heróis aqueles que mais se parecem com aquilo que gostaríamos de ser e também é claro, aquele que se dá melhor.
Mas será que já paramos para pensar o quanto isso é ruim para nossa convivência com as pessoas que estão ao nosso lado, nos amam de verdade, no entanto, não são tão perfeitas como os heróis das HQs e dos filmes que vemos no cinema ou na TV?
Geralmente temos modelos de perfeição que aplicamos a nós e aos outros e vamos cada vez mais, nos tornando infelizes, porque nem conseguimos nos enquadrar naqueles modelos de perfeição, nem encontramos ninguém que se enquadre também.
Quantas e quantas vezes alimentamos nossos sonhos e nossas ilusões com pessoas perfeitas e nos afastamos assim de quem nos ama de verdade, simplesmente porque não conseguem ser tão perfeitos quanto nós gostaríamos que fossem. E assim vamos acabando com relacionamentos que poderiam ser maravilhosos e enriquecedores, simplesmente porque alguém não se enquadra em nossos padrões.
Filhos que odeiam os pais porque estes não souberam expressar o seu imenso amor da forma como os filhos esperavam. Pais que não suportam mais os filhos, que em sua ânsia de serem felizes e independentes, não souberam ser para os pais tudo aquilo que os pais esperavam. Casamentos que terminam, porque ou o esposo ou a esposa já não são mais tão belos nem tão atraentes como a 20 anos atrás (acho que foi por isso que surgiu a piada de trocar uma de 40 por duas de 20). Amigos que deixam de ser amigos porque um ou outro tomou alguma atitude que não lhe agradou ou fez algo que jamais esperava que fizesse. E tantas outras situações que consumiriam um livro só pra serem elencadas.
E assim vamos almejando encontrar em nossas vidas uma princesa, ou no caso da meninas um príncipe encantado, ou um(a) super herói(na) e esquecemos que o verdadeiro herói do cristão é Jesus Cristo e esquecemos também, que este mesmo Jesus não venceu todo o mal com pulso de ferro e um lindo beijo de amor ao fim do filme. Não! Ele venceu o mal dando sua vida, sofrendo, sangrando, sendo humilhado, perdendo as feições humanas como disse Isaías em seu livro no capítulo 53, e sendo condenado a morte, da forma mais humilhante de todas para a sua época. Mas assim, morto pela mão dos homens, salvou os homens e lhes deu a possibilidade de alcançar a vida eterna. Este seria o exemplo ideal de herói que deveríamos seguir. Um herói que vence todo o mal ao preço de sua própria vida, mas que durante os seus dias na terra, andou com os pobres, os excluídos, as prostitutas os assassinos, os pecadores, porque "em tudo era como eles, menos em crime e pecado".

Peço que Deus me dê o discernimento de saber aceitar meu irmão como ele é e buscar viver como Cristo fez. Para isso, uma frase que ouvi uma vez em uma pregação do, então Pe. Jonas Abib, hoje monsenhor, que dizia que a forma mais bela de amar, não é amar da melhor forma que podemos, mas é amar como o outro precisa ser amado.

A paz de Cristo a todos e bom fim de quaresma.

Que a páscoa venha trazer às nossas almas, ressurreição e vida.






09 março 2010

Uma lição muito interessante

Sempre gostei de coisas que me fizessem pensar. Talvés porque sou um grande cabeça dura que precisa que tanto o conhecimento quanto a compreenção venham de dentro pra fora. Talvés por isso sempre tenha gostado de rock.
Estou lendo um livro que provavelmente quando vocês lerem este texto já terei terminado de ler porque está mesmo muito interessante. O livro se chama "Rock, Fé e Poesia - 20 anos de Rosa de Saron narrados através de suas músicas".
Calma, calma... Antes que alguém pergunte, não estou ganhando nenhum jabá pra fazer propaganda dos caras não. Até mesmo porque eles nem sequer devem fazer idéia de que eu algum dia tenha aparecido na face da terra. Mas estou falando do livro porque realmente é muito bom. Pra quem gosta de rock cristão católico então melhor ainda e se forem admiradores da banda Rosa de Saron (como é o meu caso) é uma jóia rara. Mas deixando as propagandas de lado, vamos ao aprendizado que a leitura de uma das partes do livro me trouxe, afinal de contas, este é o propósito deste blog. Lições aprendidas.
Estava lendo o capítulo 2 do livro onde eles contam a história do CD "Diante da Cruz" e uma coisa me chamou muito atenção. A história da entrada do Grevão (Wellington Greve) na banda.
Antes de entrar no Rosa ele tocava em uma outra banda e teve de ouvir uma frase que tantas vezes as pessoas que não têm paciência para entender um ponto de vista, ou um gosto ou mesmo um chamado diferente têm de ouvir.
"Você não tem unção pra tocar com a gente."
Essa é uma frase tão recorrente no nosso meio nos dias de hoje não é verdade?
Eu mesmo já fui protagonista desta frase algumas vezes (pra minha infelicidade). E quando paro pra pensar, percebo que não era verdade o que eu estava dizendo. Na verdade eu não gostava de um ritmo ou outro que a pessoa curtia e o puritanismo musical de um muleque que acha que toca alguma coisa me fez dizer uma asneira dessa.
Mas isso não acontece só em bandas não é mesmo? Isso acontece nos mais diversos lugares. Parece uma forma maluca de tentar segurar um lugar ou um cargo não sei. Parece que aquilo é algo que pertence a nós e ninguém pode chegar perto se não... Ah se chegar perto eu mostro as garras e aí vai ver.
O pior de tudo é que geralmente, dez minutos depois, reclamamos que não tem ninguém que nos ajude, mas... nós expulsamos quem tenta se aproximar.
Lembrei-me hoje enquanto pensava sobre isso de um fato ocorrido comigo uma vez no salão da paróquia que frequentava quando morava em uma outra cidade.
O episódio é engraçado, mas ensina uma grande lição. Pelo menos para mim ensinou.
Estavamos rezando no salão agradecendo o grupo de oração que tinha sido muito ungido e onde várias graças tinham acontecido e eu e outro servo começamos a cada um falar mais auto que o outro, mas não pela empolgação do espírito, era declaradamente uma disputa entre os dois. Foi até engraçado porque de repente, só se ouvia a voz dos dois embora todos rezassem.
Muito sabiamente o coordenador do grupo entrou na sala (acredito que ele sim enviado pelo Espírito Santo pra me fazer aprender uma valiosissima lição) e disse pra que nós dois parassemos de rezar e rezassemos em silêncio.
Ao final da oração, eu como sempre muito curioso fui questioná-lo porque ele tinha dito para que só nós dois rezassemos em silêncio.
Ele inspirado pelo Espírito Santo me perguntou:
- Você conseguiu rezar em silêncio? Ou só conseguia rezar enquanto podia disputar com o seu amigo?
E finalizou com uma frase que nunca vou me esquecer:
- Deus não está na discórdia nem nas disputas e sim na Paz.

É bem verdade que nas nossas relações seculares isso é bastante comum. É o famoso puxar o tapete... Mas se existe essa prática nos lugares onde nós, os cristãos vivemos, é porque antes existe dentro de nós.
Estou aprendendo uma grande lição com este livro.
Espero poder fazer como fizeram o Rogério Feltrin e o Eduardo Faro que foram lá e chamaram o Grevão pro Rosa de Saron e construíram uma maravilhosa história de evangelização juntamente com aquele que não tinha unção.

"Ele disse: - O que? Não tem unção para tocar com eles? Mas tem unção para tocar no Rosa. Vamos chamar esse cara para tocar com a gente."
(Rogério Feltrin ao se referir às palavra de
Eduardo Faro ao saber do Grevão)